Their Side — O Lado Deles
VOCÊ CONHECE OS FATOS. NUNCA OUVIU OS MOTIVOS.

Their
Side

Os acontecimentos foram registrados com precisão e atravessaram milênios sem perder um detalhe. As razões, não. Nunca foram escritas. São vinte e quatro capítulos sobre tudo aquilo que ficou de fora do registro.

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O FATO PERMANECE · O SILÊNCIO É PREENCHIDO · O DESFECHO NÃO MUDA

Trilogia de Cristo

O único acontecimento capaz de partir o tempo em dois. Vinte séculos depois, o mundo ainda conta os anos a partir dele e ainda não ouviu quem estava presente.

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01

A Traição

02

A Crucificação

03

A Ressurreição

Todos os episódios

UMA VOZ

Quem viveu é quem conta.

O SILÊNCIO

Os registros dizem o quê. Nunca o porquê.

O FATO

Nenhum acontecimento é alterado.

ALÉM DA IGREJA

Não é preciso crer para entender.

Sobre a Série

Os textos antigos registraram cada acontecimento com precisão, e se calaram sobre tudo o que se passou dentro das pessoas. Nenhum deles conta o que aquelas pessoas pensaram, temeram ou tentaram fazer. É nesse silêncio que a série acontece — dando voz a quem esteve presente e nunca teve a chance de explicar.

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Vozes da narrativa

Personagens

Cada episódio é narrado em primeira pessoa.
Conheça quem conta a história.

"O mundo decidiu quem eles foram sem nunca ter ouvido nenhum deles."
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Their Side · Estudo de Personagem · A Traição

JUDAS ISCARIOTES

O que os Evangelhos deixaram escapar sobre ele

Este não é o resumo do episódio. O episódio conta a noite. Este estudo trata do que ficou fora dela — os detalhes que estão nos textos há dois mil anos, à vista de todos, e que quase ninguém parou para ler duas vezes.

São nove observações. Nenhuma delas exige aceitar nossa interpretação. Todas exigem admitir que a história é mais estranha do que a versão que herdamos.

1. O nome dele era o nome mais honrado de Israel

Judas é a forma grega de Judá. O quarto filho de Jacó, o nome que significa louvor, a tribo de onde viria o rei — e de onde viria o Messias.

“Gênesis 29:35” · “Gênesis 49:10”

Era também o nome do maior herói militar recente do povo judeu: Judá Macabeu, o homem que havia expulsado os invasores do Templo menos de dois séculos antes. Chamar um filho de Judá era o equivalente a chamá-lo de libertador.

Era um dos nomes mais comuns da Judeia. Depois daquela noite, praticamente desapareceu.

Um único homem conseguiu inutilizar o nome mais orgulhoso de uma nação inteira.

2. Havia outro Judas entre os doze — e ele precisou de um aviso

Poucos sabem disso. Entre os apóstolos havia um segundo Judas: Judas, filho de Tiago, também chamado Tadeu.

“Lucas 6:16”

E quando esse outro Judas fala, uma única vez, em todo o Novo Testamento, o evangelista precisa interromper a frase para esclarecer que não era aquele.

Disse-lhe Judas — não o Iscariotes.

“João 14:22”

O nome já havia se tornado tão contaminado no momento em que o Evangelho foi escrito que era impossível pronunciá-lo sem uma nota de rodapé. Nenhum outro nome na Bíblia precisa disso.

3. Ele aparece por último em todas as listas — sempre com a etiqueta

Os três Evangelhos que listam os doze colocam Judas no fim. Sempre. E nenhum deles consegue escrever o nome dele sozinho: em todas as ocorrências vem colado o mesmo aposto — aquele que o traiu.

“Mateus 10:4” · “Marcos 3:19” · “Lucas 6:16”

Pedro nega Jesus três vezes e continua sendo apenas Pedro. Tomé duvida da ressurreição e leva o apelido, mas o nome sobrevive. Judas nunca mais é apenas Judas.

E há uma quarta lista. Em Atos, os apóstolos se reúnem depois da ressurreição e são contados um a um — onze nomes. O lugar dele não foi ocupado. Foi deixado aberto, à vista de todos.

“Atos 1:13”

4. Judas curou pessoas

Esta é a linha que a maioria dos leitores atravessa sem enxergar.

Mateus registra que Jesus reuniu os doze, deu-lhes autoridade sobre espíritos imundos e poder para curar toda enfermidade — e então lista os doze pelo nome. Judas está na lista. Ele foi enviado com os outros.

“Mateus 10:1-8”

Isso significa que, em algum vilarejo da Galileia, existiu gente que foi curada pelas mãos de Judas Iscariotes. Gente que voltou para casa andando, enxergando, livre — por causa dele.

Essas pessoas envelheceram. E em algum momento, anos depois, souberam o nome do homem que as havia tocado.

Não existe uma única linha na Bíblia sobre o que elas sentiram. É um dos silêncios mais violentos do Novo Testamento.

5. Ele nunca chamou Jesus de Senhor

Este detalhe está em Mateus, e é preciso ler os dois versículos em sequência para vê-lo.

Na última ceia, Jesus anuncia que um dos presentes o entregará. Os discípulos reagem, um a um, com a mesma palavra: Senhor — em grego, Kyrios.

“Mateus 26:22”

Três versículos depois, Judas faz exatamente a mesma pergunta. Com uma única palavra diferente.

Rabbi, sou eu?

“Mateus 26:25”

Rabbi significa mestre, professor. É respeito — mas é respeito humano. Não é a palavra que se usa para alguém que se reconhece como Senhor.

E horas depois, no jardim, quando se aproxima para o beijo, ele usa a mesma palavra de novo.

“Mateus 26:49”

Em todo o Evangelho de Mateus, Judas jamais chama Jesus de Senhor. Nem uma vez. Se isso foi escolha consciente do evangelista, é a caracterização mais sutil e mais devastadora do Novo Testamento: o homem estava ali havia três anos e nunca deu àquele homem o título que os outros davam.

6. Jesus lavou os pés dele

Na noite da ceia, antes de tudo acontecer, Jesus levanta-se da mesa, tira a túnica, cinge uma toalha e lava os pés de cada um dos doze — a tarefa do último escravo da casa.

“João 13:1-5”

João faz questão de registrar que Jesus já sabia quem o entregaria.

“João 13:11”

Ele lavou os pés que caminhariam até os sacerdotes naquela mesma noite. Segurou nas mãos os pés do homem que já tinha o preço combinado.

Não há nenhuma repreensão registrada. Nenhuma exposição pública. Nenhuma tentativa de impedir.

7. O bocado era um gesto de honra

Ainda na mesa, perguntado sobre quem seria, Jesus responde que é aquele a quem der o pedaço de pão molhado. E o dá a Judas.

“João 13:26”

Leitores modernos entendem isso como denúncia. No costume da mesa oriental do primeiro século, era o contrário: oferecer o bocado molhado com a própria mão era a distinção reservada ao convidado de honra — um gesto de afeto do anfitrião para com alguém que ele queria destacar.

O sinal que identificou o traidor diante da mesa era, para todos os outros presentes, um gesto de amizade. Ninguém à mesa entendeu o que estava acontecendo — e João registra exatamente isso.

“João 13:28”

8. A pergunta não é moderna. Tem mil e oitocentos anos

Por volta do ano 180, o bispo Irineu de Lyon escreveu contra um grupo que fazia circular um texto chamado Evangelho de Judas — no qual Judas não era traidor, mas o único discípulo que havia compreendido a missão, agindo por instrução do próprio Jesus.

O texto foi condenado, combatido e desapareceu. Ressurgiu no século vinte, num códice de papiro em copta encontrado no Egito, autenticado e traduzido, e publicado em 2006.

É preciso ser absolutamente claro sobre o peso disso: o Evangelho de Judas não é canônico, é de origem gnóstica, foi escrito muito depois dos Evangelhos, e Their Side não adota a tese dele em nenhum ponto.

O que ele prova é outra coisa, e essa outra coisa importa muito. Prova que menos de cento e cinquenta anos depois da crucificação já havia gente incapaz de aceitar que a explicação para Judas fosse simplesmente ganância. A inquietação que move nosso episódio não é uma invenção contemporânea. É quase tão antiga quanto o próprio cristianismo.

9. O que foi exigido do substituto

Depois da ressurreição, os apóstolos decidem preencher a vaga. E o critério que estabelecem é revelador.

O substituto teria que ser alguém que estivera com eles durante todo o tempo em que Jesus andou entre eles — desde o batismo de João até o dia em que foi elevado — para ser, junto com os outros, testemunha da ressurreição.

“Atos 1:21-22”

Ou seja: para ocupar o lugar de Judas era necessário ter visto tudo o que Judas viu.

A vaga que ele deixou não era a de um funcionário desonesto. Era a de uma testemunha ocular de três anos inteiros. Matias foi escolhido — e depois disso não é mencionado nunca mais em nenhuma linha do Novo Testamento.

“Atos 1:26”

O homem que substituiu Judas desapareceu da história. O homem que Judas foi ainda é discutido dois mil anos depois.

O que fazemos com tudo isso

Nada acima absolve Judas. Ele foi aos sacerdotes. Combinou o preço. Guiou os soldados no escuro. Deu o sinal. Todos esses fatos estão registrados e nenhum deles está em disputa.

Mas repare no que os nove pontos, juntos, produzem.

Um homem escolhido depois de uma noite inteira de oração. Um homem que recebeu autoridade e curou. Um homem cujos pés foram lavados pelo próprio Mestre horas antes. Um homem que recebeu o gesto de honra na mesa. Um homem cujo lugar exigiu, para ser preenchido, três anos de testemunho ocular.

E, atravessando tudo isso, uma única palavra que ele nunca disse.

A Bíblia registra cada um desses fatos com precisão e se recusa, do começo ao fim, a explicar o motivo. Ela mostra o homem inteiro e nunca mostra o lado de dentro dele.

Their Side não preenche esse vazio com invenção livre. Preenche com a única pergunta que os textos deixam de pé — e que o episódio persegue até o fim.

E se ele não achasse que estava traindo?

Assista o episódio que conta a história de Judas.

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Their Side · Criador, Roteirista e Diretor

SOBRE O AUTOR

Denny Cassius Barcelar de Oliveira

Criador, roteirista e diretor de Their Side

Foto do autor Denny Cassius Barcelar de Oliveira

Denny Cassius Barcelar de Oliveira é o criador, roteirista e diretor de THEIR SIDE — Histórias Bíblicas: Perspectivas Proibidas. Brasileiro radicado nos Estados Unidos, ele concebeu a série como uma obra autoral integral: cada episódio é pesquisado, escrito e dirigido por ele.

A origem da série está num lugar que poucos imaginariam. Criado em um lar cristão, Denny sempre teve uma relação próxima com as histórias da Bíblia — mas a faísca que deu forma ao projeto veio de outro território: Dexter, a série sobre um serial killer contada inteiramente da perspectiva do próprio assassino.

O que o fascinava não era a violência, e sim a inversão do ponto de vista. O protagonista não é um assassino qualquer: ele segue um código rígido, herdado do pai adotivo, que o obriga a mirar apenas em criminosos que escaparam da justiça — nunca em inocentes. É uma figura moralmente ambígua, nem herói nem vilão, e a série faz o oposto de quase toda narrativa criminal, normalmente contada pelo lado do policial ou da vítima: ela coloca o espectador dentro da cabeça daquele que, visto de fora, seria apenas um monstro — e revela ali uma pessoa, com lógica, com feridas, com um mundo interno que ninguém jamais teria imaginado.

Depois de revisitar a série muitas vezes, uma pergunta começou a incomodá-lo: se uma história pode ser transformada apenas por mudar de quem a conta, o que aconteceria com as histórias mais conhecidas do mundo se fossem contadas pelo lado que nunca ouvimos? Foi aí que seu olhar se voltou para a Bíblia — um texto povoado de figuras que aparecem em um instante decisivo, cometem um erro, tomam uma decisão, e desaparecem sem que ninguém jamais pergunte o que se passava dentro delas.

Denny começou a pesquisar esses personagens, um a um. Não para adorá-los, nem para absolvê-los — a régua é clara: nada justifica o erro. Mas ninguém nunca os ouviu. E era exatamente esse silêncio que ele queria ocupar.

THEIR SIDE não reescreve as Escrituras. Os fatos, os capítulos e os versículos são respeitados integralmente. O que a série dramatiza é apenas o que o texto bíblico deixa em aberto — o pensamento, a memória, a dúvida e a linguagem interior desses personagens. Não se trata de justificar ninguém. Trata-se de ouvir, pela primeira vez, quem sempre esteve presente mas nunca teve voz.

O método reflete essa exigência. Denny realiza pessoalmente a pesquisa bíblica, escreve cada roteiro e define a direção, a estrutura e o tom de cada capítulo. A produção visual e a narração são realizadas com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, sob direção criativa humana integral — a tecnologia é o instrumento, mas a autoria, as decisões e a alma da obra são inteiramente humanas. Nenhuma pessoa real é retratada e nenhum fato histórico é falsificado.

Concebida como uma obra única e planejada do início ao fim, THEIR SIDE reúne vinte e quatro capítulos que atravessam a narrativa bíblica do Gênesis ao Apocalipse e são publicados em cinco idiomas. A série nasce de uma convicção simples: as histórias que o mundo julga conhecer ainda têm lados que nunca foram contados.

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